Andre Matos fala sobre separação do Angra

Caros amigos,

 

Neste momento difícil, tenho pensado em algumas palavras para tranqüilizar a todos e explicar o porquê de tudo isso. Existe um único motivo: a fidelidade a um ideal.

O Angra nasceu em cima de uma amizade sincera e muitos sonhos. Muitos deles se concretizaram graças à ajuda e dedicação de todos que nos apoiaram no mundo inteiro: fãs, jornalistas, profissionais… Alcançamos um nível que jamais poderíamos imaginar e ainda teríamos muito mais a conquistar. Então começaram os problemas.

Freqüentemente rolavam sérios atritos com o nosso empresário no Brasil. Tivemos até mesmo um período, pouco antes do Fireworks, quando a confiança mútua já parecia estar perdida – e isso quase causou a separação na época. Porém, com as promessas de que tudo seria esclarecido e consertado, resolvemos nos dar uma segunda chance. Infelizmente, foi em vão. Apesar de conseguir finalizar o álbum e a turnê, o que se viu então foram novos desentendimentos e muita falsidade, com a banda sendo forçada a encarar o trabalho apenas como mais um “negócio”. Era o início de uma grande desarmonia entre nós, músicos. E que, obviamente, também refletiria no lado musical.

Para mim, o nome Angra – que hoje pertence ao empresário – sempre foi sinônimo de profissionalismo e qualidade. Um tipo de magia que não se pode explicar… E eu não podia assistir isso morrer. Simplesmente não me sujeitaria a dizer que fico na banda e fazer “mais um disco” apenas por dinheiro. Se sempre deixamos claro à imprensa que deveríamos parar no dia em que nossa criatividade acabasse, essa é a hora. Penso que um músico de verdade nunca deve trair seus instintos, e por isso tomei essa atitude.

É claro que me preocupo com todos os fãs que se sentem perdidos, mas fiquem tranqüilos: não estou morto e me sinto ainda mais forte! E não vou deixá-los sozinhos, como nunca deixei no passado.

Agora, os planos apontam para o Virgo (que na verdade nada tem a ver com a separação do Angra…) – mas há também uma porta aberta para o futuro junto a meus amigos Luis Mariutti e Ricardo Confessori, que deixaram a banda pelos mesmos motivos. Nós três pensamos que não podemos deixar este anjo cair e, apesar de não ficarmos com o nome Angra, com certeza ficamos com todo o resto!

Agradeço a todos pela compreensão e amizade e mal posso esperar para reencontrá-los em breve!!

 

Um abraço,

 

 

Andre Matos

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