André Matos – novembro/2003

Written by Mauricio Varnum CarvalhoMonday, 01 December 2003 17:33

Mesmo com toda a fama adquirida nas épocas de Viper e Angra, André ainda se espanta com a quantidade de fãs que seguem o Shaman neste um ano e quatro meses de ´Ritual´. Após a gravação do DVD ao vivo no Credicard Hall em abril, a banda volta a São Paulo para a despedida. Calma, não é despedida da banda ou de alguém da banda, apenas a despedida de shows por aqui…pelo menos até Setembro de 2004, quando deverá ser lançado o novo disco.

Bem vindos à uma gostosa conversa, onde falamos de tudo e mais um pouco! Com vocês, Monsieur André Matos!

DropMusic: Qual o balanço que você faz do Shaman após esse um ano de sucesso e o que você espera do final da tour aqui em São Paulo?
André Matos:
 Olha, nós estamos num momento…Nós estamos no mês de novembro e o Shaman iniciou as atividades, ou seja, depois do lançamento do disco ´Ritual´ que foi em agosto de 2002, né? Foi um ano corrido pra gente e ainda bem, a gente fica contente por isso, por que o reconhecimento do público em relação à banda foi acima do esperado. A gente sabia que tinha que trabalhar duro, pra divulgar o disco, pra firmar um nome novo, apesar dos músicos da banda serem em sua grande maioria conhecidos do público, mas o nome da banda ainda não era, então…Eu acho assim, às vezes eu paro pra pensar, eu acho incrível tudo o que a gente conseguiu conquistar nesse espaço de tempo, em pouquinho mais de um ano, um ano e dois meses, com o primeiro disco.
Eu acho que a gente conseguiu chegar num patamar bastante elevado. Eu fico contente por que isso é um fruto de um trabalho mesmo, a gente se dedicou muito desde que o Angra se separou, desde a formação do Shaman, pensando em todos os detalhes e acima de tudo valorizando uma coisa que existe na banda, que já tava, que já era um produto em escassez no Angra, que é a amizade. E isso foi a mola motriz para que a gente conseguisse se entender bem e esse trabalho rendesse e frutificasse do jeito que está frutificando.

DropMusic: Você chegou a ficar com medo de o Shaman não dar certo?
André Matos: 
Claro, esse tipo de insegurança acho que rola em qualquer banda. Mas ao mesmo tempo a gente tinha uma confiança grande no nosso potencial, na nossa capacidade, no tipo de som que a gente estava a fim de fazer que era uma coisa já diferente do que a gente vinha fazendo antes e a gente tinha certeza que com essa proposta, a gente tendo persistência dificilmente a banda não encontraria um lugar ao sol…Mas é como eu te disse o resultado tem sido acima das nossas expectativas, por exemplo, um grande exemplo disso é o show que a gente fez no Credicard Hall com os convidados todos, o qual serviu de base para o nosso DVD. Quer dizer, em um ano e pouco…praticamente um ano a banda já está lançando um DVD ao vivo, depois de um álbum, de um primeiro álbum de estúdio é um sinal, um bom sinal, assim eu acho que existe uma demanda por isso e a gente está aí para poder corresponder, mas assim…com certeza essa insegurança da banda não dar certo… Com certeza rolou, a gente se viu meio, meio… Num mato sem cachorro depois que o Angra se separou e a gente não tinha mais nada assim, a gente abriu mão do nome, abriu mão da fama, a gente abriu mão da grana, a gente abriu mão de ter uma estrutura empresarial por trás…Mas tudo isso a gente abriu mão com muita consciência porque tudo aquilo estava praticamente matando a gente também e seria um suicídio lento. Ao mesmo tempo a gente acabou optando por uma coisa legítima, por uma coisa verdadeira e está aí o resultado pra provar isso.

DropMusic: Você está sabendo que existem algumas declarações por parte de fãs que eles dizem que o Shaman é a idéia exata do que poderia vir a ser o Angra depois de Fireworks. O que você acha de uma declaração dessas?
André Matos
: Olha, eu acho que…Eu já poderia acrescentar a essa declaração de que mais do que depois do Fireworks, já seria uma noção exata depois do Holy Land. Ou seja, é um som que abre muito espaço para experimentalismo também e acho que na verdade cara, os fãs não deixam de ter razão não porque é uma mistura do que foi o Holy Land com o que foi o Fireworks, ou seja, o Fireworks é um disco mais simples que valorizou mais o som da banda…O Holy Land é um disco que valorizou essa coisa da world music, da experimentação e tal e de algum tipo de tema mais conceitual. Então se você juntar essas duas coisas e um pouquinho mais de outras influências, outros elementos, outras idéias, você acaba tendo o som do Shaman. O Shaman é uma banda que é assim, eu posso dizer que é uma banda de world metal né cara, a gente usa vários elementos de música do mundo inteiro, não só do Brasil, não só regional do Brasil como regional do mundo inteiro, então você tem aí influências de música árabe, de música andina, de música oriental e também européia…Ou seja, africana, caribenha, tem de tudo ali no meio do disco, mas isso não é o carro chefe da coisa, o carro chefe é o som da banda que puxa mais pra um heavy metal tradicional do anos 70 e 80. Ou seja, se você pegar ali o começo de bandas como Black Sabbath, como Judas (Priest), como o próprio Iron Maiden você vai reconhecer que essa é a semente que acabou germinando aqui e influenciando a gente mais do que qualquer outra coisa, então eu acho que essa mistura foi bem sucedida, não esquecendo claro…Tem também a parte de música clássica e tal, que a gente nunca deixou de lado, mas é uma mistura que acabou dando bastante certo e que assim eu acho que o Angra naquela época já apontava pra isso, mas a gente não teve condição dentro da banda de desenvolver mais isso, acabou tomando outros rumos e realmente pra mim, o Fireworks é um ponto final naquela nossa história com o Angra porque dali pra frente acho que nada poderia ser muito recriado. A gente chegou num momento de saturação completa das idéias e até em nível pessoa mesmo dentro da banda, não rolava mais uma amizade forte então…Acho que o melhor que a gente fez foi isso mesmo foi…Renovar, acreditar na idéia do Shaman, acreditar no nome novo e tentar fazer exatamente a continuação daquilo que a gente se propunha a fazer no passado.

DropMusic: Bom, agora será a ultima pergunta sobre o Angra, assim já fecha esse assunto. Houve uma briga recentemente entre o Edu (Falaschi – vocalista do Angra) e a Penélope, com várias declarações bombásticas dos dois lados, um falando que não ia falar com o outro, enfim, todo aquele ´lero-lero´. O que você achou dessa briga, você acha que vai mudar alguma coisa em relação aos fãs verem Shaman, Angra, Penélope, etc?
André Matos:
 Olha, nessa briga na verdade eu não me meto porque a Penélope é grandinha e ela sabe se defender e bem. Mas eu acho muito bonitinho da parte dela a idéia dela me suportar, dela lutar pelos mesmos direitos, isso é uma grande demonstração de amor da parte dela e eu fico feliz de ter uma mulher que me apóia em todos os sentidos. Eu particularmente prefiro não comentar qualquer tipo de declaração que tenha sido feita à minha pessoa porque na verdade, eu prefiro só falar daquilo que eu conheço e na verdade, se tenho que criticar alguém; prefiro conhecer primeiro.

DropMusic: É por que ficaram falando várias coisas…Eu nem lembro agora o que falaram, mas vamos encerrar esse assunto…
André Matos: 
Não, não, eu não tenho nenhum problema de falar a respeito disso assim. Eu acho que, é o que eu digo cara, as pessoas deveriam conhecer as outras primeiro, antes de abrir a boca pra falar. Eu acho assim, abriu a boca pra falar merda da Penélope vai realmente tomar uma cacetada de volta.

DropMusic: Com certeza (risos)!
André Matos
: (rindo) Ela não é flor que se cheire, mesmo assim já é histórico, você sabe quem é o pai dela.

DropMusic: Ah, com certeza, inclusive ele era meu vizinho, mas tudo bem (risos).
André Matos
: (rindo) Gente fina o sogrão.

DropMusic: Como andam as composições para mais um petardo do Shaman? Alguma mudança em relação à sonoridade do ´Ritual´ ou em ´time que está ganhando não se mexe!?´
André Matos:
 Não, não, a gente pretende sempre evoluir cara, assim, esse papo de time que está ganhando não se mexe eu acho meio oportunista. Eu acho que as únicas pessoas que têm o direito de fazer isso são o AC/D até hoje, agora, fora eles eu acho que todo mundo tem a obrigação de renovar o repertório.
Agora é claro que a gente aprendeu muito com esse primeiro álbum e a gente principalmente aprendeu qual é o estilo da banda. Até o álbum ficar pronto a gente não tinha ainda muita noção do que o Shaman ia representar no cenário. E hoje, porra, eu fico feliz pra caralho porque eu vejo que o Shaman encabeça um movimento, ele encabeça uma tendência. E tem várias bandas que estão vindo agora, bandas jovens que a gente cruza por aí que a gente vê que a gente tem uma grande influência sobre elas, ainda que seja um pouco tempo de vida do Shaman. Isso por si só já é uma responsabilidade, a gente pretende é claro, honrar esse estilo que a gente tanto defende, daqui por diante. Então assim, sem dúvida nenhuma…É como eu digo assim, e o pessoal da banda também, a gente está um pouco cansado de ser rotulado como metal melódico, acho que chega desse papo de metal melódico, deixa o metal melódico pro Stratovarius, pro Nightwish e afins, entendeu. Por quê o Shaman não é bem isso, o Shaman é uma banda de heavy metal e PONTO. E cada vez mais a gente vai querer ser uma banda de heavy metal, então tudo o que vier em cima desse conceito do heavy metal são coisas que vêm só pra acrescentar ao trabalho, então daí você inclui as influências diversas de vários estilos musicais diferentes, etc. etc.
Mas definitivamente o nosso sonho é ser reconhecido como banda de heavy metal e não de metal melódico.

DropMusic: Você e o Sasha Paeth são muito amigos, tanto que gravaram o projeto ´Virgo´ que foi um baita projeto. Eu particularmente adorei. Terá um outro álbum desse jeito, do Virgo? E ele será o produtor de novo de vocês? O que ele achou do público daqui do Brasil?
André Matos: 
Olha, tudo o que diz respeito ao Sasha é positivo. Então assim, a nossa amizade é uma amizade grande mesmo, de muitos anos, apesar da distância Brasil-Alemanha…mas a gente sempre se cruzou porque eu sempre tive que estar na Alemanha pra fazer show, turnê, etc. E a primeira vez que ele veio ao Brasil foi agora, no show do Credicard e ainda que ele tenha ficado só quatro dias aqui, ele amou o Brasil, ele ficou impressionado, está louco pra voltar pra cá e deve voltar no início de 2004 por que a gente vai começar a produção do disco por aqui, então o Sasha vai estar aqui no começo das gravações e tal, que vão ser terminadas lá na Alemanha até a metade do ano.
Então…Em relação ao Virgo, tanto ele quanto eu, a gente tem uma puta vontade de fazer um segundo disco. É uma válvula de escape pra gente, é um outro tipo de som. Eu posso dizer pra você que aprendi muito fazendo o disco do Virgo, aprendi que eu tinha qualidades da minha voz que eu nem conhecia e isso me serviu pra usar pro Shaman depois também, muita coisa…Então assim a hora que a gente tiver um tempo, a gente vai realmente sentar junto de novo, escrever um disco e mandar ver no estúdio. Imagino que isso vá rolar na seqüência da gravação do próximo disco do Shaman, que é quando a gente vai ter um tempo pra fazer alguma coisa junto.

DropMusic: Legal, as tão famosas férias…
André Matos:
 É, férias de músico é fazendo música, então não tem jeito.

DropMusic: E você tem um lado produtor? Tem o sonho de produzir alguma banda ou produzir um próprio projeto seu?
André Matos:
 Então cara, eu gosto de mexer com som também, é uma coisa que assim, todo músico tem esse lado meio engenheiro de som e tal…Eu acho assim, a hora que pintar a oportunidade de produzir alguma coisa, eu provavelmente posso me meter a produzir, porque nas coisas que eu faço geralmente, tanto na época do Angra, como Shaman, quanto Virgo, eu meto muito a mão também.
Então assim, aqui no Shaman a coisa é muito democrática, todo mundo tem o direito de opinar, todo mundo pode meter a mão, pode…E eu gosto muito de acompanhar cada processo assim, desde ver a capa do disco até o final da mixagem, coisas que nem me dizem tanto respeito, mas enfim sou interessado nisso. E acho que a longo desses…Deixa eu pensar, nós estamos no ano de 2003, ao longo desses 18 anos de carreira deu pra aprender alguma coisinha por aí, então quem sabe um dia estando mais sossegado, eu possa me dedicar a produzir alguma coisa, seja minha, solo, de alguém, de algum amigo, porque acho interessante o trabalho de produtor e o Sasha, por exemplo, é um cara que me ensinou bastante nesse sentido e ele é um dos maiores produtores da atualidade.

DropMusic: Podia ser contratado para ´fazer´ umas bandas pop, por que pelamordedeus!
André Matos
: É, porque tá brabo né meu? Tá terrível hoje em dia, a qualidade das coisas eu acho que…tá faltando produtor bom no mercado realmente, viu cara? Por que é tudo tão pasteurizado, tudo tão fórmula por que da raiva assim, Pro Tools é que predomina em todas circunstâncias, então é assim, você mata toda a possibilidade de manifestação de vida na criação principal de tudo. Mas por outro lado é legal quando você faz um disco ao vivo que você pode mostrar de verdade o que a coisa é, desde que o disco não seja gravado em estúdio, veja bem.
DropMusic: Com certeza.

DropMusic: Teremos duas bandas de abertura no show de Sampa, o Holly Sagga (considerada o novo Stratovarius) e o Víper que foi sua primeira banda (aliás, foi muito legal essa época). Não é meio estranho você olhar para o Viper hoje e ver que você não está lá, vendo que ele está abrindo um show seu…Não dá uma saudade de subir no palco e sair tocando com eles de novo?
André Matos:
 Mas isso é o que vai acontecer. A gente vai fazer uma jam no final do show e vai cantar umas músicas juntos pra lembrar, por quê dá saudade mesmo, dá muita saudade, por que naquela época era tudo muito amador, assim, era uma coisa que era feita com muita paixão e ninguém tinha pretensão de ser uma banda profissional, etc,etc, ninguém precisava viver disso…Então é uma época muito romântica assim né, no meio do heavy metal e a gente ralava pra caralho, carregava amplificador nas costas, ia ver show na pqp, era difícil conseguir um vinil aqui no Brasil, era difícil comprar um instrumento, num havia essas coisas todas que existem hoje em dia. E por isso mesmo é muito nostálgico, é uma coisa que qualquer som do Viper que eu escute assim, bate aquela saudade, aquela nostalgia da adolescência mesmo, né cara, porque eu fui um adolescente que cresceu fazendo música e não jogando bola. Então com certeza vai rolar essa jam aí no final do concerto, lá a gente vai fazer uma coisa junto. E assim o Viper…Eles tão agora reformulados, eles voltaram, eles tão numas assim de curtir também, de voltar a tocar, porque eles gostam disso, eles gostam de heavy metal e é um grupo que tem muita qualidade, que foi um dos pais do que rola hoje em dia em termos de heavy metal tradicional e até mesmo do chamado heavy metal melódico…Naquela época em 85, 86, 87 era a única banda que fazia esse tipo de som, cantado em inglês dessa maneira. Claro, havia as bandas brasileiras, cantavam em português e essas bandas a gente era bastante fã, a gente ia a todos esses shows e tal. Mas eu acho muito legal, é como se um ciclo se fechasse, eu acho muito bacana que hoje eu esteja podendo fazer um show com o Shaman, que é minha banda principal e o Viper esteja ali abrindo o show, depois de tanto tempo e a gente possa se encontrar ali no palco e lembrar isso tudo, acho isso muito legal.

DropMusic: Como você está vendo o crescimento da cena brasileira metal e até mesmo musical brasileira? E aparecendo o metal de repente na Rede Globo, Rede Record…Isso até começou com vocês, com ´Fairytale´ (música da trilha da novela ´O Beijo do Vampiro´)…
André Matos:
 É verdade, quer dizer eu acho que o Brasil está se tornando um dos países de ponta no heavy metal mundial. Você vê, um exemplo disso, grupos que vêm pra cá e gravam seus DVD aqui, por exemplo. Iron Maiden é um deles, se eu não me engano foi o Kreator que gravou também um, ou não?

DropMusic: O Kreator gravou o DVD e acho que gravou umas 12 ou 13 músicas do cd novo.
André Matos:
 Pois é…Gravaram aqui, o Manowar gravou bastante coisa ao vivo aqui, o Rush agora, acabou de lançar o disco no Rio, gravado no Rio. Então assim, o público no Brasil é um puta público, um público fiel, um público animado pra caralho, muito diferente daquilo que a gente vê na Europa, que é um público quase morto, são muito devagar lá e eu acho que eles estão tão cansados já de ver tanta coisa que nada anima os caras. Aqui no Brasil essa coisa quase virgem ainda, não desbravada ainda e as bandas que vêm pra cá piram, ficam loucas aqui com o público, acham que não tem nada igual a isso no mundo e em termos de número a gente está bem impressionado com o que está rolando no Brasil. A gente, graças a Deus, consegue hoje em dia sustentar uma turnê do Shaman, não só tocando fora do Brasil, mas assim, metade da turnê já consegue ser com datas aqui, dentro do próprio país e é muito louco você pegar o avião e tocar em Manaus e chegar lá tem 5000 pessoas pra te assistir, cantando as tuas músicas. Você vai pra Teresina, tem 4000. Você vai pra Fortaleza, tem 4000. Você vai pra Porto Alegre, tem 3000. Isso é um público grande, isso é um público já de banda pop, ou seja, o heavy metal está conseguindo alcançar um status de estilo musical grande dentro da cena musical do Brasil e um desses exemplos é essa coisa da novela da Globo, do pessoal finalmente ter escolhido um som de uma banda brasileira, de rock pesado pra estar no horário nobre, isso é uma coisa assim, que enche a gente de orgulho e como eu te disse, me faz crer que o Shaman esteja encabeçando um novo movimento aí, dentro do metal nacional.

DropMusic: O mais engraçado foi ver assim: vocês confirmaram ´Fairytale´, na mesma semana que tocou a música, o Angra apareceu no Jô Soares…
André Matos:
 É o Jô Soares, no caso, não é a primeira vez. Eu acho que…Eu me lembro quando a gente tava no Angra ainda, nós chegamos a ir duas vezes ao Jô Soares, isso foi em, se não me engano, 98 e 99. Então é assim, não é a primeira vez que alguém vai ao programa do Jô, em termos de banda de metal, o Sepultura já foi algumas vezes também…Ah, ali tudo bem, agora novela da Globo é uma coisa inédita, né?

DropMusic: Com toda a certeza, espero que venham muitas por aí!
André Matos:
 Claro, espero que outras bandas consigam também.

DropMusic: Falando em heavy metal, vocês iam abrir pro Metallica e os caras cancelaram o show. O que vocês estão vendo deste cancelamento, os caras confirmaram a turnê no Japão que ia acontecer uma semana depois daqui, o que vocês estão achando disso?
André Matos:
 É, parece que a turnê do Japão eles voltaram atrás e acabaram fazendo, porquê os japoneses deram um ultimato pra eles lá, que se eles não fizessem esses shows, eles não voltavam nunca mais pro Japão. E como ninguém quer perder aquela boquinha do Japão, que paga muito bem os shows (risos), os caras acabaram repensando a atitude….Eu acho isso uma atitude completamente inconseqüente, eu, me desculpa dizer, acho que quem comprou ingresso deve ter ficado muito puto, a gente que ia abrir o show ficou bem decepcionado, principalmente pelo motivo que eles alegaram. Eu acho que…sei lá, se alguém estivesse realmente hospitalizado, ou alguém tivesse morrido, ou não sei, seria uma justificativa mais plausível, mas dizer que a banda estava estressada e a turnê mal tinha começado…É no mínimo uma desculpa esfarrapada. Inclusive eu recebi um e-mail pela internet muito engraçado, que fizeram uma montagem com a cara dos quatro do Metallica, escrito assim: ´Clínica de repouso Merdallica, interne-se aqui e aprenda a mandar seus compromissos pra pqp´ e ainda o título do e-mail era: ´Para aqueles que compraram ingressos´ (risos).

DropMusic: Mas dá a impressão de que foi por dinheiro…de que faltou um acerto, sei lá.
André Matos:
 Não cara, mas pelo que eu esteja sabendo e a gente estava em contato com os promotores do show por que, a CIE no caso, eles que estavam trazendo o Metallica, já estava quase tudo vendido. Então assim, falta de grana não foi e não foi nenhum tipo de descumprimento de contrato por parte dos brasileiros que estavam trazendo, eles são uma empresa séria, eles não queriam se queimar com isso. Mas foi uma displicência da parte da banda mesmo, acho que sei lá, chega uma hora que a banda fica tão grande que…os caras, de repente, podem fazer o que bem entenderem e eu não vi com bons olhos esse cancelamento não, mas tudo bem, pra gente na verdade não ia ser…tanto faz como tanto fez, não ia fazer o Shaman mais ou menos conhecido tocar ali no show do Metallica, só ia ser legal de novo ter a sensação de tocar na frente dum estádio de futebol lotado e tal, isso era uma coisa que eu tava bem ansioso pra fazer. Mas vão ter outras oportunidades aí, ta vindo Iron e Judas Priest e a gente espera que a gente esteja nessa barca aí.

DropMusic: Ah, mas com certeza vocês vão estar lá, fazer um trio…
André Matos:
 Um trio ia ser muito louco, hein meu?

DropMusic: Com certeza!
André Matos:
 Na verdade eu conheço os dois (Bruce Dickinson e Rob Halford) separadamente, são dois caras excepcionais, fora de série…Eu adoro tanto um quanto outro, são talvez as minhas duas maiores influências também dentro do metal e eu tive a oportunidade de falar isso pros dois já… Porra se rolasse um dia de cantar os três juntos eu acho que aí eu posso pendurar as chuteiras já viu?

DropMusic: (rindo) Não faça isso, Não faça isso!
André Matos:
 Quase fiz isso quando o Bruce cantou comigo, pô!

DropMusic: (muitas risadas)
André Matos:
 Não tem mais agora…

DropMusic: Acontece, acontece! Bom, vou fazer umas cinco, seis últimas perguntas que eu acho que seu tempo está escasso. Você está sabendo que a maioria do pessoal que começa a cantar metal ´melódico´ no Brasil quer ser você. Quer cantar do mesmo jeito que você canta, passando o mesmo sentimento que você passa nas músicas, escrever do mesmo jeito…ser o seu espelho. Então qual o conselho que você dá pra essas pessoas?
André Matos:
 O conselho, cara, é o seguinte: sejam músicos antes de serem vocalistas. Acho que é esse o conselho, então se você começa a se focar muito numa coisa só, você perde todo o resto de vista. Eu acho bacana, eu também comecei assim, eu comecei…Eu pirava no jeito do Rob Halford cantar, no Bruce Dickinson, no Eric Addams, no Geoff Tate, no Ian Gillan, no Coverdale, no Dio…e eu queria ser aquilo, eu queria cantar igual aqueles caras, eu lembro no comecinho que eu não tinha estudo nenhum, não tinha técnica nenhuma, não tinha porra nenhuma e ficava falando ´meu Deus, cara, nunca vou conseguir fazer isso que esses caras fazem… como é que eles conseguem´ e bicho, os anos foram passando e de tanto tentar eu consegui, não fazer igual a eles, mas desenvolver um estilo próprio. E é isso que é o mais importante, que eu acho assim, você tendo uma noção da música como um todo, porque aí você tem que realmente abrir o leque, tem ouvir outras coisas, tem que procurar saber de onde veio tudo isso…Aí eu acho que você tenha uma grande chance, talvez, de desenvolver seu próprio estilo, que é o mais importante dentro disso tudo. Então assim, é legal você começar copiando alguém, sem dúvida nenhuma, mas você tem depois que começar a andar com suas próprias pernas e se você não for músico de verdade, fica difícil você ter horizon…abertura suficiente pra descobrir isso.

DropMusic: Falando em músicos de verdade, o Luís acabou se meteu em uma saia-justa com o pessoal do Rhapsody. Eu falei com o Staropoli no começo do ano, fiz uma entrevista com ele, assim, poucas perguntas e ele me falou que encontra com você no mundo inteiro…Aí, você cantou, de repente numa música do Luca Turilli (Demonheart), não sei, não prejudicaria alguma provável participação sua num álbum do Rhapsody ou deles num álbum do Shaman?
André Matos:
 Olha cara, eu só tenho uma coisa pra dizer, eu sou super amigo tanto do Alex quanto do Luca, quanto do Fabio, quanto do baterista, o outro Alex também e até falei pro Luís uma época, eu falei ´Porra cara eu acho que você deu uma mancada, assim, você não precisava ter atacado quem não merece, porque são caras supergente finas…´ e na verdade isso que o Luís disse é, não é inteiramente correto, entendeu? É uma coisa que sem dúvida nenhuma, muitas bandas acabam recorrendo a artifícios, efeitos de gravação pra coisa sair melhor no estúdio, etc, etc.
Mas acho que o Luís falou isso aí meio sem pensar, meio sem ter certeza do que tava falando e sem dúvida nenhuma a gente percebe que os álbuns do Rhapsody são super produzidos. É tudo clinicamente colocado ali e como é o Sasha que faz, a gente sabe como o Sasha é um cara minucioso pra esse tipo de coisa. Daí a dizer que os caras davam pra alguém tocar as músicas, eu acho que ninguém pode afirmar isso, por quê ninguém viu. E o próprio Luís concordou, ele falou ´Não, realmente eu não sei o que que eu tava com a cabeça na hora lá que eu acabei falando essa merda´ e ele mesmo escreveu pros caras do Rhapsody e se desculpou e tá tudo bem e assim, é uma coisa que assim, o mais importante de tudo isso é que não fique um clima ruim entre a gente porque não tem porque ficar, eu acho que tem muita gente por aí que merece mais crítica por aí do que o Rhapsody…

DropMusic: Com toda a certeza, concordo com você.
André Matos: 
Eu acho que é contra esses aí que a gente deveria abrir a boca pra falar.

DropMusic: Já abri e já falei já (risos)…
André Matos: 
(muitos risos) Que bom hein? Não tamos sozinho aí no time.

DropMusic: A gente tem muitos álbuns tributos ultimamente, você está a fim de participar de algum, o Shaman já foi convidado?
André Matos:
 Cara, uma vez a gente participou quando era Angra ainda de um tributo ao Judas Priest, fizemos a Painkiller e era um tributo bacana, com diversas bandas grandes. Olha meu, hoje em dia, com o Shaman ainda não pintou um tributo que a gente se interessasse pra valer em fazer, ao mesmo tempo, a gente tem que focalizar mais na carreira da banda, a gente tem contratos com as gravadoras e temos que sempre estar pensando no próximo álbum do Shaman e essa coisa de parar pra fazer vários tributos, várias participações é uma coisa que tira um pouco da concentração na coisa da banda em sim, e a gente ultimamente resolveu dar uma segurada nesse tipo de coisa, porque eu mesmo posso te falar sinceramente cara, eu participei de muitas coisas nos últimos dois anos, são vários discos, são várias participações especiais, vários tributos, vários shows e agora eu realmente me conscientizei que é hora de botar um pé no freio com isso por que assim, é claro que a gente tem muitos amigos por aí no meio, a gente…Ainda bem, a gente se relaciona muito bem com muita gente, principalmente fora do Brasil e se a gente não der uma segurada nisso, todo mundo vai querer e todo mundo…e acho que numa boa assim, cada um tem uma coisa diferente para te oferecer, você vai fazer um trampo diferente em cada lugar que você vai participar, em cada coisa que você vai participar, mas, chega uma hora em que você tem que dar uma freada nisso, porque senão, como diz o ditado, vira ´carne de vaca´, então eu acho que ta na hora de a gente se concentrar mais, aqui no trabalho do Shaman mesmo e se pintar algum tipo de tributo não acredito que a gente vá aceitar assim, pelo menos nesse momento da banda.

DropMusic: O que te influencia na hora de escrever uma música…Em tudo…Música, letra, partitura de teclado, etc?
André Matos:
 Geralmente muitas das minhas letras são narrativas, então assim é como se eu fosse um personagem, eu encarno a figura do personagem ali, conto uma história ou então tem um narrador que conta a história acerca de outros personagens ou então as histórias seguem pra um lado mais abstrato, mais descritivo, do ponto de vista…puta, vou falar um negócio muito complicado agora, isso é um papo meio cabeça, mas assim, é como se fosse uma descrição de cenas, então na verdade, eu acredito assim, cada vez que eu escrevo uma música ou um disco mesmo, é como se eu estivesse escrevendo uma parte de um livro.

DropMusic: Como se fosse um filme, por exemplo?
André Matos:
 É, como se fosse um filme, então as coisas são meio costuradas, elas têm a ver umas com as outras e as narrativas têm a ver assim, no sentido de prender em atenção de quem está escutando mesmo, é um tipo de…de história com uns toques de abstração no meio, assim pra você…acho que tudo que é muito direto também muito perigoso, porquê você acaba prendendo a idéia da coisa num foco só e isso não abre…Não dá asas pra imaginação, entendeu? Ao passo de que se você conseguir misturas bem essa coisa um pouco mais descritiva, narrativa com idéias mais abstratas, você consegue passar uma mensagem e ao mesmo tempo deixar margem pras pessoas colocarem suas experiências ali dentro. Então assim, letra pra mim é um treco muito importante, é uma coisa muito importante porquê…é tão importante quanto a música, uma vive da outra e uma nasce da outra também.
Em relação às músicas, as inspirações são as mais variadas possíveis, às vezes você acorda de manhã com uma idéia na cabeça e vai lá e grava, às vezes você tá, sei lá, andando pela cidade e te ocorre uma outra idéia, às vezes você ouve um despertador tocar e aquilo te dá uma outra idéia e sei lá, às vezes buscando a idéia na própria fonte, como foi o caso da…daquela parte da música peruana que tem na ´For Tomorrow´ e que tem tudo a ver com a música peruana, com a música latino-americana, com a música andina e a letra acabou seguindo por aí também, ela conta a história da civilização inca, já dentro desse conceito grande que foi o disco ´Ritual´ aonde cada faixa fala de uma civilização, de uma religião, de uma crença, de um ritual diferente.

DropMusic: Aliás, parabéns pelo cd está maravilhoso, cara!
André Matos:
 Muito obrigado cara, você vai curtir o ao vivo, viu?

DropMusic: Eu perdi o show, acredita?
André Matos:
 Puta, então tem você tem que ir fim de semana agora.

DropMusic: Eu estarei lá de qualquer jeito.
André Matos:
 Inclusive falando do show, deixa eu aproveitar né, que você não perguntou…A gente vai fazer no show um tributo ao Ozzy.

DropMusic: Eu ia te perguntar exatamente o que ia rolar no show agora…
André Matos:
 A gente vai fazer um tributo ao Ozzy, vamos tocar seis músicas do Ozzy, do Sabbath e assim, na verdade esse tributo é , como é que eu poderia dizer, não é uma reclamação, é um…me ajuda a achar a palavra aí, vai.

DropMusic: Seria uma contestação?
André Matos:
 Uma contestação! É uma revolta…não, uma palavra mais branda.

DropMusic: Sua reclamação…
André Matos:
 Não…

DropMusic: Não, né?
André Matos: 
Não é reclamação…

DropMusic: Sua birra com o Ozzy?(risos)
André Matos:
 É o seguinte, é um protesto, protesto…

DropMusic: Ah achou a palavra!
André Matos
: Isso…É um protesto contra essa palhaçada de ´The Osbournes´.

DropMusic: Puta meu, você viu que…estragou a imagem dele, meu..
André Matos:
 É meu, a gente é…Você me desculpa, tenho 32 anos, sou um fã velho do Ozzy Osbourne, entendeu? Eu conheço desde a época do Sabbath, desde a época que ele fez o primeiro disco solo, é um cara que sempre foi um ídolo pra gente e é um cara de uma importância absolutamente vital dentro do heavy metal. Então é assim, transformar o cara num palhaço em nome do capitalismo da mulher dele, é um absurdo cara! O cara não tem noção do que ele tá fazendo…

DropMusic: Não tem mais…
André Matos: 
Eu acho que deveria ser respeitado isso, entendeu, eu acho que ele deveria ficar recluso, ele deveria fazer o que ele sempre soube fazer bem que é compor e fazer show, cara e…Sem essa palhaçada toda e eu juro por Deus, me dá dor na alma quando eu ouço ´Changes´ cantado por ele e ela pela filha ridícula dele.

DropMusic: Dois.
André Matos:
 Entendeu…

DropMusic: Eu baixei essa música, imediatamente apaguei e falei ´não acredito…´
André Matos:
 Não cara, é muito oportunismo, a mulher dele é muito voraz, cara, entendeu? A mulher teve câncer outro dia e nem parece que teve, ela…Ela falou que o câncer dela foi a melhor coisa que teve na vida.

DropMusic: Será que teve?
André Matos
: É, vai saber né cara, vai saber se também não foi uma jogada de marketing, entendeu? Então meu; sinceramente pra ter uma mulher assim, porque todo mundo falava ´não, o Ozzy não faz nada sozinho, ela que faz tudo por ele e tal´, mas, porra, pra fazer desse jeito eu preferia que ele tivesse morrido antes, né, se eu fosse ele. Então assim, é um protesto e é pra mostrar pra garotada mais nova, que de repente não conhece os sons mais antigos do Ozzy…

DropMusic: Que tem que conhecer…
André Mato
s: Exatamente, que tem que conhecer e que o valor que isso tem, né cara, então assim, a gente tá fazendo a nossa parte aí (risos)…eu acho que é isso, eu fico revoltado com essa série, eu não acho nem um pouco engraçado, sabe, eu acho só patético.

DropMusic: Acontece…o mundo tá patético hoje em dia.
André Matos:
 É meu; isso aí veio na onda do Big Brother, que já é uma coisa ridícula, entendeu cara? Então a gente tem que de alguma maneira resgatar algum tipo de valor mais decente, assim, não é um papo moralista isso, é só uma coisa mais próxima do humano, porquê isso aí tá indo muito pro lado desumano, cara.

DropMusic: Com certeza!
André Matos:
 E assim, tem esse lance do Ozzy né, do tributo e que mais vai rolar…Quem for ao show vai poder ver em primeira mão, algumas faixas do DVD…

DropMusic: Opa!
André Matos:
 Mas isso é um efeito especial lá, que a gente não pode revelar ainda, de que maneira a gente vai exibir isso.

DropMusic: Sem problemas, essa parte não precisa revelar…
André Matos:
 Não, mas só fala que vai rolar.

DropMusic: Ah, com certeza. Mas só o fato de você revelar que vai rolar Ozzy, a galera já vai ficar…
André Matos
: É, vai ser em primeira mão, por quê o DVD não saiu, só vai sair lá pela metade de dezembro, primeira semana, metade de dezembro e todo mundo vai ver ali no Directv.

DropMusic: Legal!
André Matos:
 Tem o lance da jam com o Viper, que eu já te falei e o resto é…

DropMusic: Vai tocar bateria em alguma música ou não?
André Matos:
 Ah meu, a gente nunca sabe o que rola no final, entendeu, por que é clima de festa, são dois dias, a gente fez isso de propósito, entendeu, pra todo mundo poder ir, tem muita gente que pode ir num e quem não pode vai ao outro, então todo mundo que já teve no show do Credicard e que curtiu e quer voltar e quer ver de novo e vai ver coisas diferentes, ou aqueles que não puderam ir ao Credicard, né, como foi teu caso, vai poder ir pela primeira vez agora.
Então vai ser do caralho, porque…Na verdade é a despedida da Ritual Tour em São Paulo, a gente vai continuar tocando, mas em outras cidades, outros países e tal, mas aqui em São Paulo a gente já decidiu, esse é realmente o último show antes do show de lançamento do próximo disco, que vai ser só em setembro, ou seja, é quase um ano daqui pra frente pra gente tocar de novo em São Paulo, então é a última chance.

DropMusic: Essas serão as três últimas perguntinhas, por que seu tempo deve estar mais do que escasso. Vocês foram tocar, acho que, na França, né?
André Matos:
 Fomos, fomos três vezes à França tocar.

DropMusic: Vocês foram headliner nessa última vez que vocês não puderam tocar na Itália, não foi um negócio assim?
André Matos:
 Isso, dessa última vez a gente…a gente era headliner de um festival em Hortez, na França, festival de metal e de rock progressivo, festival muito legal por sinal…E aí não tinha como a gente sair de lá as duas da manhã e estar na Itália as onze da manhã pra fazer o festival ´Gods of Metal´, nem que a gente fosse de avião, não tinha como. A gente pensou em todas as maneiras possíveis, pedimos a organização do festival ´Gods´, que mudasse a gente pra mais tarde, mas eles já estavam com a lista toda coberta, então não deu dessa vez, mas a gente já tá confirmado pro ´Gods´ desse ano agora de 2004, numa posição melhor.

DropMusic: Vou ver se vou pra lá ver vocês também.
André Matos:
 Ôrra, lá vai ser legal cara. Toca com um monte de banda legal, eu tive lá no ano passado e teve vários shows bons cara, vários shows bons…

DropMusic: Eu tenho falado com o Aldo do Secret Sphere e ele tem me falado dos shows lá da Itália…
André Matos
: É, a minha maior decepção foi só que eu ia ver pela primeira vez o Rammstein ao vivo e eles cancelaram, mas tudo bem.

DropMusic: Mas Rammstein não acabou?
André Matos:
 Ué, você tá sabendo de alguma coisa?

DropMusic: Eles divulgaram que iam se separar, não divulgaram?
André Matos:
 Puta…Então me fala porque eu não sei cara.

DropMusic: Eu sei o seguinte, eles divulgaram que iam acabar…Aí passou um tempo, lançaram acho que um cd ou DVD.
André Matos:
 É mesmo cara?

DropMusic: A mesma coisa o Slipknot, o cara falou que ia acabar, três meses depois lançaram cd.
André Matos:
 Que estranho…

DropMusic: Marketing!
André Matos:
 Puta…Espero que não acabe cara, que é uma das bandas que mais curto ultimamente…

DropMusic: É boa, mas só que os caras fizeram uma cagada, né?
André Matos:
 Qual?

DropMusic: Abriram pro Kiss…
André Matos:
 Abriram pro Kiss, né.

DropMusic: A mesma coisa o Avalanch, aliás, vocês tocaram com o Avalanch, né?
André Matos:
 O Avalanch, a gente tocou com eles na Espanha. A gente, inclusive, abriu pra eles lá.

DropMusic: Puta, vocês abriram pra eles lá?
André Matos:
 Foi.

DropMusic: Aqui eles vieram abrir pro Grave Digger.
André Matos: 
Ah, eu tô sabendo.

DropMusic: Tá sabendo que eles foram recebidos a ´pedradas´?
André Matos
: Não, não, isso eu não tô sabendo.

DropMusic: Bicho, o público vaiou os caras até dizer chega, viu?
André Matos: 
Pô que pena cara. Porque a banda…

DropMusic: A banda é boa…
André Matos: 
A banda é boa, cara.

DropMusic: A gente chegou a uma conclusão…
André Matos: 
Eu acho que é o seguinte, metal cantado em espanhol, não rola no Brasil, né?

DropMusic: Talvez o Rata Blanca, talvez…
André Matos:
 Mas nunca é muito conhecido né cara, do público, assim, é sempre meio…Meio distante, ou canta em inglês ou em português, no máximo, mas…

DropMusic: Fica meio engraçado, né, porque espanhol é língua irmã…
André Matos:
 É, agora…O que eu vi dos shows do Avalanch lá na Espanha eu gostei pra caralho, assim, achei uma puta banda boa…Inclusive eu participei do disco deles, cantando um pedaço de uma faixa lá e…

DropMusic: Ah é, você cantou com eles também, né?
André Matos:
 No show a gente até fazia lá de novo e tal e são caras bem legais, são caras bem gente fina e…Assim, eu não entendo porquê o público não curtiu não, é uma incógnita.

DropMusic: Eu acho que abriram pro…pro…grupo errado…
André Matos:
 Abriram pro público errado, isso pode ser. Público do Grave Digger é outra parada, né?

DropMusic: O Harppia se deu bem.
André Matos: 
Quem?

DropMusic: O Harppia se deu bem abrindo pro Grave Digger.
André Matos:
 Mas o Harppia é bem mais parecido né, cara. Eles têm um sonzão mais tradicional, o Grave Digger segue mais por aí né.

DropMusic: O Dragonheart abriu pro Grave Digger também.
André Matos:
 É?

DropMusic: Foram Harppia, Dragonheart e Avalanch.
André Matos:
 E o Dragonheart, como é que é?

DropMusic: Cara; é Blind Guardian brasileiro…total.
André Matos:
 De onde eles são, hein?

DropMusic: De Curitiba.
André Matos:
 Ah eu conheço o Dragonheart de Curitiba.

DropMusic: Gente boa…os caras são legais.
– Neste momento, André pede um minutinho para resolver algumas coisas.
André Matos: Que você tava falando mesmo…

DropMusic: Do Dragonheart.
André Matos
: Isso…Não eu lembro, a gente tocou junto inclusive já é que isso me fugiu da memória aqui. Mas é, é uma banda boa. Têm umas bandas boas brasileiras no momento.

DropMusic: Tá tendo um boom, depois de vocês…
André Matos:
 É, eu acho que deu uma acendida no mercado aí, né cara.

DropMusic; É tava meio estranho o mercado metal ultimamente.
André Matos: 
Porquê tinha sobrado quem, Sepultura, Angra e tal, mas nada muito novo, né?

DropMusic: Muitas tragédias acontecem nos primeiros shows. O que você tem de engraçado pra contar do primeiro show que você cantou?
André Matos:
 Primeiro show com o Shaman ou com o Viper?

DropMusic: Tanto faz, um show que você considere engraçado da sua vida…
André Matos:
 Ah, primeiro show da minha vida mesmo foi com o Viper, né cara. A gente abriu pra uma banda que se chamava ´Platina´, que na época era o Ivan e o Andria Busic, né, era um precursor do Dr. Sin, já era bem parecido assim. E nós tocamos num teatro chamado ´Lira Paulistana´, que ficava na praça Benedito Calixto em São Paulo, um teatro muito tradicional, muito famoso aqui, que acabou, lógico, né?
E meu, a gente era considerado os ´Menudos´ do heavy metal. Porquê a idade média da banda era quatorze anos de idade. Eu fiz o show com treze…o Pit que era o mais velho tinha quinze, se não me engano, o Yves quatorze, o Felipe quatorze e o Cássio tinha treze também. E meu, era um bando de molequinho cara, no palco tocando música do Saxon, do Metallica, do Venon, do Iron, do Judas…a maior parte do show foram covers e a gente tocou uns quatro sons próprios já lá, que inclusive são os sons do primeiro disco do Viper, do ´Soldiers (of Sunrise)´ e foi muito engraçado, cara, porquê eu…primeira vez que eu entrava num palco, encarava um microfone ali, cara, eu tremia muito bicho, era muito medo de estar ali, nossa, muito engraçado isso. E se você perguntar pro Ivan e pro Andria, eles lembram disso até hoje, muito engraçado porquê a gente praticamente começou junto ali.

DropMusic: Vocês tinham quatorze, quinze anos, mas tocavam que nem veteranos hein…
André Matos:
 Não, tocava meio mal…Mas, assim, pô já valia a pena ver a molecada ali né meu, era muito engraçado isso, cara. É tipo, sei lá, você pegar um…Uma banda tipo hoje em dia, esse B5 aí vai, que são uns moleques que tocam música baba.

DropMusic: Tocam mal pra cacete, viu?
André Matos:
 É…Mas imagina uns moleques dessa idade tocando metal, né cara…

DropMusic: Nossa!
André Matos:
 E o show misturava tudo, já te falei, vai de Iron até Venon.

DropMusic: Venon é…
André Matos
: É…Venon, cara.

DropMusic: Diferente do que você se propôs a fazer pela sua carreira, né?
André Matos
: É, mas é o que eu te digo, cara, nos anos 80…A gente curtia tudo né, não havia tanta divisão: black metal, death metal, heavy metal, trash metal…Não havia isso cara. Até heavy metal, o negócio era heavy metal, som pesado é uma coisa só. Desde AC/DC até Venon. Desde Led Zepellin, até…Sei lá, Sodom. Então, muito engraçado isso.

***O celular dele toca e ele pede que esperemos um minutinho.***

DropMusic: Pode falar o que quiser, o espaço é seu, manda mensagem, abraço. Fica a vontade.
André Matos
: Bom, agradeço aí tua atenção e dedicação com as perguntas, não fez nenhuma pergunta sacana (risos) e mesmo que fizesse, a gente tá aí pra responder mesmo, da maneira que achar melhor, né. Mas é legal ver quando as pessoas têm interesse na carreira da gente, sabem o do que tão falando. Eu…eu acho terrível responder entrevista quando…quando a pessoa pergunta assim ´Olha, dá aqui um parecer sobre cada faixa do seu disco´, então já me recuso a responder a esse tipo de pergunta, porquê é sinal de que a pessoa não ouviu mesmo. Foi aí que a Penélope me ganhou na MTV, que a gente começou a namorar e tal, porque cheguei lá pra fazer uma entrevista com ela, ela já saiu falando ´ó a minha faixa preferida do disco é tal, eu gostei da parte tal´, aí eu falei ´Puta, que legal, ela escutou´ (risos).

DropMusic: Aliás, a melhor música do disco, com certeza são todas, viu?
André Matos: 
São todas? Eu também não tenho uma preferida assim não, cara, tenho várias preferidas e…é legal, cara, cada música tem um astral diferente, no show também é legal tocar todas e a gente também não enjoa muito dessas músicas e vai ser legal quando a gente tiver mais um, dois, três discos de estúdio, poder tocar essas músicas de novo, vai ser muito bacana…

DropMusic: Vai ser aquela famosa seção nostalgia…
André Matos: 
Ah é, com certeza…e de resto meu, quero agradecer a toda essa galera que sempre acreditou no nosso lado né cara, no nosso lado da história e acho que hoje…no começo era muito difícil a gente provar a gente tinha um pouco de razão depois que a gente se separou do Angra, mas hoje em dia…Eu sempre disse na época, falei ´espera um pouco até vocês verem o som que a gente vai fazer e vocês vão entender, vai cair a ficha do porquê dessa separação´. Acho que hoje tá muito claro pra todo mundo…Porquê de tudo e só tenho a agradecer aqueles que viraram aí os Shaman-maníacos e a gente espera estar com eles em qualquer lugar.

DropMusic: Aliás, é engraçado, vocês lotaram todos os shows desde o começo..Vocês lotaram todos os shows.
André Matos: 
É, o negócio vai crescendo. A gente fica feliz, é uma garotada que, que renova pra caralho, então assim, hoje em dia é muito comum nos shows da gente, você ver os pais e os filhos, né? Então o pai tem lá seus 35, 40 anos e o filho já tá ali com quinze anos, já curtindo o som…Pô tem moleque até de nove anos que vai ao show, entendeu? Então é impressionante como a gente consegue ter um tipo de contato e, como eu posso dizer, influência até, sobre várias gerações e a garotada conhece mesmo. Eu fico muito orgulhoso desse pessoal todo, fico feliz pra caralho, é um pessoal que não é alienado, que sabe o que quer, sabe não tá aí abrindo as pernas pra

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