Immortal – Shaman

É muito fácil chegar ao novo Shaman cheio de preconceitos: “sem o Andre Matos?”, “querendo soar como o ‘Ritual’?”, “como o Confessori sozinho vai dar conta?”. Depois de um longo tempo passado do lançamento, chegou a minha vez de ouvir “Immortal”, o terceiro disco daquela mesma banda que se originou das brigas do Angra, que fez sucesso com “Ritual” como Shaman, gerou protestos em “Reason” já chamada de Shaaman, e que agora mudou de vez.

Nota: 8 

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A contragosto de seus ex-colegas – Matos e os irmãos Mariutti -, o baterista Ricardo Confessori aproveitou o fato de deter o nome do grupo e resolveu dar sobrevida à banda chamando bons nomes da cena brasileira: Thiago Bianchi na voz e assinando a co-produção com o líder, o excelente guitarrista Leo Mancini (ex-Tempestt) e Fernando Quesada no baixo. Tudo bem, “Immortal” é bom, muito bom. Mas, mesmo com algumas lembranças bem pontuais do Mystic Metal do Shaman original, a personalidade daquele grupo ficou para trás e ter mudado de nome teria sido a melhor solução. 

O maior desafio superado por Confessori foi na composição, uma vez que Andre Matos tem grande talento para a coisa, além de sempre contar com pelo menos três mãos na parte de teclas: ele próprio, Miro e Fábio Ribeiro, todos talentosos, sem dúvida. Mas o baterista resolveu seu problema com apenas um nome: Fabrízio di Sarno (Angra, Dianno, Karma, Symbols). Explicando, ele não faz parte da formação do grupo, mas foi responsável por todos os teclados, orquestrações, programações e até a regência da parte de orquestra real usada (Osesp). E, se todos os músicos do novo Shaman são ótimos individualmente, quem se sobressai a todos é Di Sarno, que co-assinou com a banda todos os arranjos e soube dar um acabamento nas músicas que fez total diferença, enriquecendo os 45 minutos de ‘play’.

Coube a ele, por exemplo, a introdução “Renovatti”, que se não é das mais memoráveis – talvez seja pelo fato de ser longa -, tem uma execução de primeira. A faixa de abertura, “Inside Chains”, também não impressiona – por sinal, o primeiro solo do disco é de teclado, coincidência ou não. O uso das teclas e dos efeitos foi extenso, já se repara neste princípio.

E é a partir da pesada “Tribal By Blood” que “Immortal” pega no embalo. Barulhento, Leo Mancini mostra porque pode ser considerado um dos grandes nomes da nova geração brazuca, os teclados são certeiros mais uma vez, dando o tom da música, e Confessori (com sua bateria bem destacada na produção) mostra que não perdeu o fôlego de tempos atrás, mandando ver no bumbo duplo. Até então, nada de lembranças místicas, o que aparece pela primeira vez na faixa-título, visivelmente composta a partir de uma linha de bateria. O “mystic” fica pelo começo e a parte central da faixa, com barulhos naturais e narrações exóticas, com participação até de um Xamã de verdade.

A influência do disco “Ritual” vem ainda mais clara em “One Life”, totalmente na linha de “For Tomorrow”, começando no violão e na flauta e partindo para trechos mais pesados, num dos momentos mais interessantes do disco, com destaques gerais. Leo, virtuosíssimo no solo, faz belo dueto com Quesada. Além do refrão grudento e a boa interpretação de Bianchi, indo dos agudos limpos a trechos mais rasgados, os arranjos e o uso de teclados mais uma vez são os elementos que transformaram uma boa faixa em algo além disso. O mesmo acontece em “In the Dark”, que de uma balada comum acabou recebendo trechos orquestrais e até de harpa e virou uma música realmente emocionante.

O momento “água-com-açucar” é encerrado prontamente com o alucinante riff inicial de “Strenght”, que é um Metal Melódico mais básico, acelerado, mas também muito bom. O que ficou aquém no nível foi o uso dos backing vocals, que pedem um bocado mais de agressividade. Se Leo já deixa o ouvinte boquiaberto no início, o solo com uma pegada mais de Blues também surpreende.

Já fechando o disco, “Freedom” não traz grandes novidades e tem um refrão bem memorável, assim como “Never Yield!”, esta sim mais um destaque. “The Yellow Brick Road” é mais uma bela balada, levada no violão e se destaca pelo uso da percussão, dando um leve toque étnico, na linha que lembra o clássico “Holy Land”, como muito já se falou.

“Immortal” é sim um grande disco e mostra que Confessori soube juntar bem seus cacos, dar a volta por cima e voltar à cena em grande estilo – como também o fizeram, cada um a seu tempo, Angra e Andre Matos após as separações. Agora tem de se esperar para ver se o lado mais místico foi apenas por conta de uma transição da banda ou se esta é realmente a cara do Shaman para seus próximos discos.

É verdade que o nome poderia ter mudado, deixando aquele antigo Shaman descansando em paz. Mas também é fato que o trabalho é bom nos níveis do que o batera fez com seus velhos companheiros, colocando o álbum entre os melhores do ano (2007). Portanto, quem ainda não experimentou, é hora de deixar os preconceitos de lado e dar uma chance, ao menos, ao novo Shaman, que além do velho Confessori, traz novos nomes que fazem parte da nata da nova geração.

Formação:
Ricardo Confessori – bateria
Thiago Bianchi – vocal
Leo Mancini – guitarra
Fernando Quesada – baixo

Track list:
1. Renovatti – 02:59
2. Inside Chains – 04:24
3. Tribal By Blood – 04:18
4. Immortal – 05:54
5. One Life – 05:04
6. In The Dark – 04:18
7. Strenght – 04:17
8. Freedom – 04:44
9. Never Yield – 04:47
10. The Yellow Brick Road – 08:18

Lançamento Nacional – Thurbo Music / 2007

Fonte: Immortal – Shaman – Resenhas de CDs http://whiplash.net/materias/cds/077124-shaman.html#ixzz1jF2MeHuO

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