Thiago Bianchi

Thiago Bianchi

 

O músico Thiago Bianchi, do Shaman, está trabalhando a todo vapor neste ano de 2009, realizando uma série de workshops por todo o Brasil. Belo Horizonte, assim como em 2008, recebeu a visita de Thiago na renomada escola de música Pró Music.

 

Mais uma vez a equipe do Metal Clube foi atrás do músico, agora para falar sobre o retorno do Angra e um pouco mais sobre o seu trabalho como produtor musical. Confira!
Metal Clube – Olá Bianchi. É uma honra para o Metal Clube conversar com você mais uma vez!
Thiago Bianchi – É sempre um prazer falar com o pessoal do Metal Clube, é um lugar aonde eu posso me expressar livremente. Um pessoal que realmente entende de Rock e gosta de boa música.
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Metal Clube – Em mais uma oportunidade você compareceu a BH para a realização de workshops. Sua última passagem foi em novembro de 2008 e mais recentemente em abril de 2009. Explique-nos como tem sido sua agenda de workshops pelo país e como você tem notado a receptividade do público em suas últimas aulas.
Thiago Bianchi – Eu tenho feito muitos workshops. É uma satisfação tremenda, porque é duro em um país como o Brasil você conseguir pessoas que queiram compartilhar de boa música. Isso é uma coisa que tem me deixado muito feliz, sem contar que nessas andanças pelo Brasil a gente conhece muita gente legal.
Eu estou em uma espécie de tour, quase todo final de semana tenho agenda. Eu fiz um em novembro de 2008, na Pro Music, em BH, e foi o primeiro na qual eu tive liberdade de tempo, consegui falar sobre coisas mais profundas com o pessoal. Nós temos que estar com uma limpeza mental, é legal você poder conversar com outros cantores, sobre frustrações, traumas e trocar experiências. Isso é fantástico!
É uma área onde eu estou muito feliz. É muito divertido! Aproveitando, queria convidar todo mundo, em agosto, ainda não existe data definida, porém já está marcado novo workshop no Minueto em BH. É uma cidade que me recebe muito bem, tenho amigos na cidade, uma história! Quero voltar logo!
Metal Clube – Após dois workshops em BH, podemos notar que os presentes fizeram perguntas pertinentes e abordaram temas interessantes relacionados a técnicas de canto. Em sua visão qual o público que comparece em seus workshops? Acredita que são aqueles que realmente tem interesse em aprender canto ou aqueles que comparecem mais devido a sua presença pessoal?
Thiago – O legal do Workshop é a situação, que é muito legal. Voz é uma coisa que vem de dentro, então, você tem todo tipo de “maluco” em uma sala de aula. Inclusive pessoas que não são músicos, lá em Vitória mesmo aconteceu de um cara ter ouvido falar que meus workshops são meio “terapêuticos”, então ele resolveu aparecer.
E ele me fazia perguntas não muito relacionada com musica, perguntas do tipo: “Você tem problema para dormir?” (Risos)
Eu acho importante, pois você está frente à frente com as pessoas, sendo confrontando sobre o que você acha, o que você faz. É uma responsabilidade, as pessoas vão seguir aquilo. Você está dando um exemplo para uma geração de pessoas! É um show consciente!
Em BH as pessoas fizeram perguntas muito interessantes. Uma cara em BH, era locutor e foi lá pela mesma história do meu Workshop ter princípios terapêuticos. Ele era religioso e as perguntas dele acabaram dando um “tom” muito legal durante o evento. Ele fez meia dúzia de perguntas que foram ótimas!

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Metal Clube – Ultimamente você tem falado bastante sobre internet. Inclusive em nossa ultima conversa você apontou a internet como uma “segunda vida” dos jovens. Gostaria que você pudesse nos explicar sobre a importância da internet no meio musical e o que você tem a dizer sobre os veículos especializados em Heavy Metal que existem na internet. Quais os pontos prós e contras da internet para a música?
Thiago Bianchi – Internet é um assunto bem conflitante. É algo que pode te deixar mais culto, mas também pode te deixar bem menos culto. É incrível, é a primeira coisa mágica que o ser humano fez. É uma janela para o mundo!
Se você entender a internet como uma janela tudo fica mais fácil. Mas vai de índole, tem pessoas que vêem uma janela aberta, entram e pegam o que tem que pegar e vão embora. É aquela velha história que download é roubo.
Eu sou a favor da honestidade em relação aquelas pessoas que fizeram o trabalho e merecem ganhar com aquilo. Também sou produtor musical, então, eu sou a favor da boa qualidade. O som honesto e original vem daquele CD que você compra na loja.
Eu só lamento pela nova geração, a internet é tão grandiosa e profunda, e você pode ser pego por essa facilidade. Eu fico preocupado com essa nova geração, pois ninguém pensa nisso. Eles nem sabem o que estão perdendo! Você tem o MP3, que é rápido, é fácil. Isso é indiscutível, mas você pode fazer isso através da mídia original. As pessoas vão ganhar muito mais.
E também tem o lado do artista, fazer música pode ter ficado mais barato para você ter acesso a ela, mas não ficou mais barato para se fazer aquela musica. É aonde vem a injustiça. Eu não acho justo a pessoa não pagar ninguém por isso. É a questão mais relevante para mim.
As bandas que eu amo, que tocam meu coração, eu pago pelo material delas. Eu paguei pelo trabalho. Mas isso sou eu, é um assunto difuso porque nem as pessoas sabem bem o que tem que ser discutidos. É uma bagunça que um dia tende a ficar organizada um dia! Já se paga por muito mais coisas na internet, você respeita mais senhas e contas e a coisa melhorou, está cada vez mais organizada!
Metal Clube – Recentemente foi anunciado o retorno do Angra, com o baterista Ricardo Confessori, que toca com você no Shaman. Primeiro gostaríamos que nos explicasse qual a importância da volta do Angra para o Heavy Metal e em quais fatores a cena fica fortalecida.
Thiago Bianchi – É, eles voltaram. Estou muito feliz pelo Ricardo! Para um músico o mais importante é você ter veículos para que as pessoas cheguem a sua arte. O Ricardo é um cara iluminado, todas as bandas por onde ele passa viram ouro. É um cara que toca muito bem, tem um domínio técnico excelente e é uma pessoa extremamente diferente. A convivência com ele é muito diferente da convivência que eu tive com outras pessoas. É um prazer tocar com ele.
Alem disso existe o lance da cena metálica nacional. Não há como negar a importância do Angra para o mundo do Heavy Metal. Tem muita gente a fim de ouvir um som, mas na verdade dispersou um pouco. É aquela coisa da conectividade, da internet. Ela tem colocado as pessoas em contato e ao mesmo tem afastado as pessoas.
As pessoas reclamam de um estilo que domina a mídia, mas não é o estilo que domina a mídia. É a mídia que domina o povo, ela fala o que devemos ouvir. Em minha opinião, eu vou ouvir o que eu quiser e é por pensamentos assim que o Heavy Metal sobrevive. Toda essa galera de bandas tem mais é que mostrar a cara mesmo e fazer o som como ele deve ser feito, com excitação.
Eu apoio a volta do Ricardo ao Angra! Todo mundo tem a ganhar com isso! Quero finalizar essa reposta com um “Vamos aí!, galera!”.
Vamos dar uma acordada no Brasil e voltar a ser essa potência que fomos!
Metal Clube – Aproveitando, muitos fãs querem saber como ficarão as atividades do Shaman após o retorno de Confessori para o Angra? Haverá alguma mudança nos planejamentos?
Thiago Bianchi – Vamos ter que dividir um pouco nossa agenda, não tem problema. Como disse, nada que uma agenda estruturada não resolva. O Shaman continua firme, vocês podem acessar o nosso site, ter acesso as noticias, vídeos, tem o nosso Myspace. Não faltam informações!
Metal Clube – Você continua trabalhando com produção. Profissionalmente falando, você valoriza extremamente esse seu lado “produtor” em sua carreira, até um pouco mais do que o lado vocalista. Explique-nos a importância que suas produções têm para a atualidade da sua carreira.
Thiago Bianchi – Isso é você que está dizendo (Risos)! Eu acho que a vida me apresenta situações e eu vou lá e faço com gosto. O mais importante na vida é fazer o que se gosta. No ponto de vista de vocal, eu tenho a chance de colocar para fora a minha arte. Na produção, da mesma forma, só que com uma outra visão. O importante é a arte em sí.
Eu valorizo muito meu lado produtor, eu fiz muita coisa legal que me orgulho. Foram momentos que moldaram a minha pessoa. Na produção vocês meche com pessoas, com o lado psicológico, não só com músicas. Você analisa como está a mente do músico naquele momento. Na produção é interessante como você consegue trabalhar isso. É como espremer a laranja, eu gosto de usar esse termo. É como aquele músico que tem suco dentro, mas não possui trabalhos de grande expressão pois ninguém chegou junto e falou “Vamos lá, isso está ruim.”
Eu sou um produtor que gosta de trabalhar com as bandas e não para as bandas. Eu tento achar a sintonia, conectar as pessoas da banda. Uma coisa muito legal, eu estou nas nuvens! Dificuldades existem, mas sou o típico operário feliz, em prol da arte! É o meu propósito!

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Metal Clube – Em seu workshop em Belo Horizonte, você comentou sobre seu primeiro registro oficial, o disco “Inside the Eyes” gravado com o Karma na sua adolescência. No workshop, foi dito que você não tinha orgulho do disco, mas que atualmente passou a ter. Porque isso aconteceu? Quais os fatores que mudaram sua visão sobre esse trabalho?
Thiago Bianchi – Isso tem nome, se chama maturidade. Com o tempo eu tive várias fases, você faz o disco, você ama o disco, você fica entediado, começa a ver defeito. No fim você chega a dois caminhos: você separa ou você fica mais amigo,
Eu acabei aceitando a união e me orgulho sim. Quando eu penso no disco, me vem na cabeça as memórias. Foi muito legal, uma viagem! Tudo que eu faço eu sempre gosto de fazer da forma mais honesta comigo mesmo. Geralmente é a forma mais maluca para você se lembrar depois, sem algemas!
Hoje em dia é um disco que eu não ouço, mas quando tenho contato é com carinho. Eu me lembro como via o mundo naquela época. Esse amadurecimento é muito honesto, ser honesto consigo mesmo. Foi o que me trouxe aqui, se eu tivesse feito algo diferente talvez o caminho fosse diferente.
Eu gosto de todos os discos iguais, todos têm uma grande relevância na minha vida!
Metal Clube – Atualmente é notório que boa parcela dos músicos tem procurado gravar discos solos. Podemos citar os guitarristas Edu Ardanuy, Andréas Kisser e Rafael Bittencourt. Vale lembrar que seu companheiro de banda, o guitarrista Léo Mancini, também trabalha em seu registro solo. Há quais fatores você atribui essa procura dos músicos por algo, digamos, mais “individual”?
Thiago Bianchi – Essa é uma resposta que eu posso te dar com propriedade. Eu tenho muito orgulho de ter feito os últimos trabalhos solos dos guitarristas de maior expressão no país. Eu fiz a produção do disco solo do Edy Ardanuy. Muito bom, foi uma viagem fazer aquilo. Só tenho lembranças muito boas de fazer musica tão excelente com músicos de tão alta qualidade e sintonia fina com intuição artística musical. Outro desse nível foi o Universo Inverso, do Kiko Loureiro. Genial, a qualidade de arranjo, a textura do disco. O Kiko é um cara muito legal de se trabalhar.  Esse lado latino, Mpb que ele tem é muito legal!
O Rafael Bittencourt é outro cara genial. Há muito tempo eu queria fazer algo solo dele e estive envolvido na produção do disco. Eu sempre falei com ele sobre essa veia forte para cantar, nós ficamos mais energizados fazendo o backings do Aurora Consurgens, do Angra. Fizemos juntos e foi legal, ali entrou em ebulição a questão de ele fazer o disco.
É obvia a importância de um trabalho solo na carreira de um músico. Quantos não deixaram alguma banda por não conseguir ter liberdade de expressão.
À partir do momento que você põe o ser humano entre quatro linhas, você delimitou o espírito da pessoa. Você matou tudo que ela podia fazer, a asa que ela podia bater. Da minha parte, eu não pretendo fazer isso com nenhuma pessoa. Partindo desse ponto, nós vemos a expressividade de trabalhos solos. É justamente a fuga do que eles fazem no dia-a-dia, não é da forma como estamos acostumados a ver.
Eu fiz todos esses trabalhos com muita gana e acabou culminando em outros coisas boas. Eu estou com um projeto próprio, que se chama Solaris, aonde eu toco com muitas pessoas que eu gosto e é uma extensão da amizade que criei com todos eles. Projeto solo é uma coisa que o músico tem que ter! É saudável isso!
Metal Clube – Bianchi, chegamos ao fim. Agradecemos imensamente a atenção. Esperamos seu retorno a BH, para mais um bate-papo. Valeu!
Thiago Bianchi – Obrigado! Não deixem de comparecer as minhas datas em BH e por todo o país. Agradeço o espaço e a liberdade para me expressar! Um grande abraço!
Site oficial Thiago Bianchi – www.thiagobianchi.com.br
Metal Clube

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