Fernando Quesada – parte 2

Fernando Quesada - parte 2

Após a brusca reformulação no Shaman, foi necessário alguns meses para Fernando Quesada se firmar no posto de baixista e se tornar um dos grandes nomes do Metal nacional. O Metal Clube conversou com o músico, que relembrou sua entrada na banda paulista. Acompanhe a segunda parte da entrevista com Fernando Quesada, o Fumaça

Metal Clube – Você ingressou no Shaman, após uma brusca reformulação que culminou com a saida do vocalista Andre Matos, dos irmãos Hugo e Luiz Mariutti, guitarra e baixo, respectivamente. Como foi o convite já que naquela ocasião e como foi substitiuir nomes de ponta do país?

Quando houve a ruptura no Shaman, o Ricardo estava indo no Estúdio onde eu trabalhava e começou junto com o Thiago (Bianchi) busca por novos integrantes para não deixar um nome tão grande acabar se perdendo. O Thiago ainda não estava na banda e estava apenas ajudando o Ricardo. E eles começaram a buscar vários nomes. Não participei muito, pois nessa época havia me desentendido com o Thiago e estava afastado do estúdio. Mas algum tempo depois o Thiago me ligou falando que estava no Shaman, que a banda estava formada e precisava de algumas ideias de músicas.
Ele (Thiago) foi até minha casa e levou uma demo com o Tito Falaschi no baixo. Nesta época fiz com ele “Never Yeld”, música que está no Immortal. Já estava muito feliz por ajudar e fazer parte de uma banda tão grande. Três dias depois recebi outra ligação do Thiago dizendo que o Tito havia saído e que eu tinha um teste no outro dia de manhã, ele me falou para levar três músicas, uma pesada, uma melódica e uma balada. Me enfiei dentro do meu home studio naquela noite e acabei compondo a ideia da “Tribal By Blood”, “One Life” e “In The Dark” e as levei no outro dia no estúdio do Confessori. Cheguei lá, já estavam o Leo, Thiago e o Confessori. Eu estava muito nervoso mesmo e me perguntando o que tava fazendo lá. Acreditava que iam ouvir e falar pra eu ir embora (risos), mas o Ricardo ouviu as músicas, gostou muito, e fomos tocar um pouco. Na época meu instrumento principal era guitarra, então, estava meio enferrujado no baixo! Mas rolou o ensaio e fomos almoçar. No meio do almoço o Ricardo parou e falou a frase que eu nunca vou me esquecer. “E aí? Quer entrar para o time?” E a partir daí só felicidade e coisas boas!
Substituir nomes de ponta não é fácil. Respeito muito André, Luiz e Hugo. Adoro inclusive o jeito do Luiz tocar e não escondo que me espelho muito nele.
Metal Clube – Reformulações acontecem não é de hoje. Nomes como Sepultura, Angra, Hangar, dentre muitos outros já sofreram mudanças consideráveis em seus line-ups. Como você avalia todas essas mudanças e até onde isso pode atrapalhar uma carreira?
É o seguinte: vou falar bem abertamente o que na minha opinião acaba rolando dentro desse meio. O heavy metal é um ‘lugar’ onde você dá o sangue para estar numa banda em evidência. É um meio sem apoio da mídia principal, popular e portanto, é um meio em que não existe toda a infra-estrutura onde o músico é apenas músico. O músico do Metal acaba fazendo parte da convivência dos negócios, de financeiro e tudo o que envolve a banda. Essa convivência é difícil, pois cada um tem um jeito de pensar e conforme o tempo passa, as vezes, essas diferenças se tornam insuportáveis e acaba culminando em uma ruptura.
Isso tem os dois lados da moeda. O primeiro é o de atrapalhar, pois o fã acaba ficando confuso e duvidoso daquilo que ele tanto confia e acompanha, e o segundo é o lado bom do surgimento de sempre novos nomes. Enfim, rupturas acontecem, brigas rolam, e como em tudo na vida reformulação faz parte. O melhor é quando a reformulação é boa e consegue manter um trabalho.
Metal Clube –  No caso específico do Shaman, como você entende que toda essa reformulação foi positiva para a sequência do grupo?

Obviamente, acho que foi positiva. Não vou se hipócrita de falar que todos aceitaram e tudo é uma maravilha. Toda mudança traz consequências. Lembro-me na época da saída do Bruce (Dickinson) do Iron Maiden, eu achei um absurdo, então não posso criticar e nem me torturar porque algumas pessoas não gostaram das mudanças. Por isso, procuro sempre conversar com todos para tentar explicar que o que estamos fazendo é: não deixando mais um nome do heavy metal no Brasil morrer, e continuamos tentando levar esse nome do Brasil com toda a força que temos!
Metal Clube – E em relação a opiniao dos fãs sobre as mudanças no Shaman? É algo que mexeu com vocês que estavam assumindo o posto? Como você imaginou a reação dos fãs mais conservadoristas sobre a nova fase do grupo?
Como eu disse, eu sabia o que me esperava, porque eu era um dos fãs, e não sei se eu estivesse do lado de fora se veria com bons olhos. O que eu sabia é que aquela era minha chance, e que eu ia mostrar com o tempo para os fans que eu tava lá pra me doar pra eles. Óbvio que a chance foi muito boa, já aparecendo em uma banda conceituada, mas eu ia aproveitar essa chance pra mostrar que o Shaman é um nome que iria trazer novas pessoas, novas músicas e uma nova fase. Não é porque uma empresa perde sua equipe que ela fica melhor ou pior. Depende dessa equipe nova!
Mas hoje estou muito feliz. Nunca fui destratado por nenhum fã. Muitos já até vieram me questionar, mas nunca foram mal-educados. Um ou outro que realmente nunca vai entender nem o que ele próprio é e faz, que são mais agressivos, principalmente com relação ao vocalista, mas com o tempo e com os shows esperamos mostrar que o que queremos é agradar e continuar com esse nome grande, como ele merece ser…
Metal Clube – A banda gravou “Immortal”, conseguindo bom retorno com o trabalho e grandes turnês. Quais foram, para você, os pontos positivos do resultado final do disco, musicalmente falando?
Tudo! Eu acho o Immortal um disco muito bom. Pesado, melódico, bem feito, bem produzido. Gosto muito de todo o resultado. O Immortal foi a nossa força de ver que mesmo com todo o préconceito por parte de fãs, conseguimos continuar porque as músicas são boas.
Metal Clube – As turnês de divulgação passaram por várias localidades brasileiras e América Latina. Em Belo Horizonte, a banda foi premiada com o nome na Calçada da Fama do Rock nacional, um projeto idealizado por Carlos Motta. Seria esse um dos principais shows do Shaman com a nova formação? Como foi receber tal reconhecimento naquela noite?
Foi muito dificil colocar a mão lá!(risos) Brincadeira! Esse show foi inesquecível para todos da banda.Tivemos a honra de ser convidados para assinar em um show lotado em BH. Realmente é muito legal saber que conseguimos manter o nome dessa forma respeitosa.Todos os shows durante a tour foram inesquecíveis. Tocamos em lugares que eu nem sabia que existiam! (risos)
Metal Clube – O DVD Anime Alive, também é outro grande registro na nova fase do Shaman. Gravado para mais de 15 mil pessoas em São Paulo, o material é considerado como umas das principais registros em videos do país. O que você tem a dizer sobre o esse show e toda a produção que envolveu o DVD?
Esse foi mais um daqueles momentos que voce se depara entre sonho e realidade. Ficamos sabendo desse DVD 4 dias antes de acontecer. Foi realmente um registro belíssimo feito de maneira exímia pela Bross Produtora. A produção de palco linda, Led de Background e o principal: um público ótimo, agitado e em grande numero. Naquele dia fizemos uma tarde de autógrafos para mais de 2.000 pessoas. Já estavamos na adrenalina desde a tarde, então, o  resultado ficou impressionante tanto musicalmente como na emoção! Vale a pena conferir mesmo!
Metal Clube – Recentemente o baterista Ricardo Confessori retornou ao Angra, o vocalista Thiago Bianchi tem tocado com outros grupos do underground nacional e planejado algo novo com o Karma, sua antiga banda, e você tem mechido com produções fora do país e fazendo canções próprias. Você considera que todas essas atividades “paralelas” podem atrapalhar a agenda do Shaman? Isso é algo que vocês conversam ou pensam à respeito?
Sempre conversamos. De maneira nenhuma nada disso atrapalha e acho uma boa oportunidade para falar um pouco sobre isso. O Confessori (Ricardo, baterista) voltar para o Angra foi uma coisa que todos conversamos, acordamos e achamos que seria bom para todo mundo. O Ricardo é um cara que batalhou a vida toda e com todo esse talento e força merece o melhor para ele, e se o melhor para ele é tocar nas duas bandas, é isso que acontecerá. E eu estarei lá no show do Angra pra ver e prestigiar!
Além disso todos somos conhecidos e colegas, inclusive faço workshops com o Felipe e nunca prejudicamos uns aos outros. O Heavy Metal nacional precisa de força e é isso que todos procuramos. O Thiago voltar a fazer algo com o Karma, eu estar tendo projetos não diminui a importancia do Shaman. O Shaman tem time e planejamentos e sempre fazemos tudo pensando nisso. Ano passado realmente quando o Confessori voltou ao Angra brecamos os shows do Shaman, até porque iriamos entrar em processo de composição para voltar agora esse ano a fazer shows com material novo. Gostaria muito de poder ter shows Angra e Shaman, mas coitado do Ricardo com as pernas! (risos)
Metal Clube – Já foi divulgado que o Shaman está trabalhando em um novo material. O que pode nos adiantar em relação a esse novo disco? Fale-nos também sobre o novo DVD, gravado na República Tcheca.
O Shaman realmente está já finalizando seu novo material e sairá nesse primeiro semestre. Esse álbum demorou mais para ser feito até porque agora realmente nos achamos como banda. Conhecemos já uns aos outros tocando juntos por 2 anos, então se tornou possível um maior trabalho. O disco está impressionante realmente! Músicas de novo pesadas, bem trabalhadas. Para quem gosta de instrumental e melodia podem esperar que terá muitas emoções com esse novo album! Eu sempre quero divulgar logo alguma música, mas sempre me seguram.
Além disso, junto com o CD vem um DVD novo que é o ápice do Heavy Metal Nacional, onde pela primeira vez na história uma banda de rock brasileira se junta com uma orquestra europeia para tocar na europa e gravar um DVD para mais de 30.000 pessoas. Podem esperar também! Eu já tenho ele em casa e fico vendo sem parar!
Metal Clube – Quesada, foi um prazer imenso bater esse papo com você. Deixe um recado para nosso leitores! Sucesso com o Shaman em 2010!
O prazer é inteiro meu e gostaria de falar pra vocês e para todos os leitores do Metal Clube que o que eu puder ajudar, estou sempre aqui! Nos vemos em breve!
Site Fernando Quesada: www.fernandoquesada.com.br
Confira também:

Fonte: http://www.metalclube.com/novo/entrevistas/8613-fernando-quesada-parte-2.html

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