O que aconteceu com o Heavy Metal Nacional?

Há muitos anos atrás, por volta dos meus cinco anos de idade, meu primo mais velho me apresentou o Album “The Number Of The Beast”, do renomado grupo Iron Maiden. Foi uma paixão à primeira ouvida. Sem delongas, o álbum era muito bem executado, onde quase todas as canções podiam ser executadas em uma radio FM. É um fato que no Brasil, o Heavy Metal estava em alta.

 

Muitos anos se passaram, muitas bandas apareceram, outras morreram, novos conceitos do metal surgiram, outros afundaram no nascimento, bizarrices foram lançadas, porém, no contexto geral, o Heavy Metal e suas vertentes só cresceram de lá para cá.
Pensando no eixo brasileiro, nada foi muito diferente do que aconteceu no mundo inteiro. Muitas bandas surgiram e mostraram lá fora o que era o Heavy Metal de qualidade. Bandas como Sepultura, Viper, Skyscraper e muitas outras, levaram o metal nacional às alturas e o apresentaram para o mundo.
Depois no enorme “boom” nacional no exterior, novas bandas foram surgindo e apresentando um excelente material, com a mais alta qualidade e expressão. Posso dizer que a banda paulista Angra é uma das grandes responsáveis pela mudança de estilo cultural que até então, era ouvido no Brasil. Misturas de baião, levadas de xaxado e outras miscelâneas deram um novo tom ao estilo “pauleira” brasileiro. Não posso esquecer-me do rock americanizado do Dr. Sin, de extrema qualidade.
Depois de todo este debut magnífico, músicos saíram de bandas, bandas acabaram, bandas se formaram, novos estilos musicais internacionais variantes do metal surgiram, e mais uma vez, o metal nacional seguiu a sua “pegada” original sem acompanhar tendências, mantendo o que realmente tinha, ainda, certa qualidade. Nomes como Shaman, Karma, Hangar, entre outros, surgiram em um período em que o New Metal falava mais alto. Porém, a qualidade sobreviveu ao acontecimento (não que o new metal seja ruim ou não tenha méritos). O Shaman apresentou ao mundo outra mistura até então desconhecida. A mistura de música mais que raiz, a música simples e pesada.
Neste momento, eu achava que o Heavy Metal estava voltando as suas origens, resgatando a influência do passado, mas sem perder o peso que era necessário atualmente. Novos recursos da informática foram sobrepostos com o lançamento do álbum “Ritual”, que é totalmente analógico. O Angra acabara de lançar o álbum “Rebirth”, muito bem executado e gravado. Influência geral no Brasil. O Heavy Metal voltava aos dias de glória.
Por sua vez, a banda paulista Karma, estava lançando o seu álbum “Leave Now!!!”, produzido por seu vocalista Thiago Bianchi. O álbum era uma espécie de vitória pessoal para os músicos da banda, que no decorrer das gravações, passaram por diversas turbulências desanimadoras. A garra foi maior e o produto veio ao mercado. Um excelente trabalho, com pegadas mais atuais, seguindo a nova tendência do metal internacional, porém, um álbum totalmente único.
Infelizmente, o Karma foi uma das bandas vítimas do enfraquecimento do movimento e apadrinhamento de bandas pelos seus seguidores. Isto já havia acontecido com outros nomes nacionais no passado, como o Korzus, Salário Mínimo, Dr. Sin, entre outros. E é aí que entra o assunto em questão. Qual o real motivo de apadrinharmos as bandas? Devemos segui-las como religiões? Não seria mais importante escutarmos de tudo, para termos uma boa referência musical?
Claro, em minha individual opinião, sim. Porém, não é assim que a grande maioria do público pensa. Em geral, pessoas preferem formar ídolos, a aceitarem a condição de ter várias bandas excelentes lançando seus trabalhos.
Mais uma vez, o mercado nacional do heavy metal estava estafado, com sinais de crise nas vendas e com o vai-e-vem de músicos e bandas insatisfeitos com suas parcerias musicais. Neste período, perdemos grandes referências musicais pelo individualismo de alguns profissionais do ramo e do próprio público em questão. O Heavy Metal nacional estava, e está, em baixa.
O público sentia a queda e também amargurava o seu próprio erro, tendo assim, materiais lançados de altíssima qualidade, mas que não representavam o que realmente cada profissional queria fazer. Parece-me, em minha opinião, que o estilo e as bandas nacionais perderam a identidade. Culpa deles e culpa nossa. Neste ínterim, é fácil jogar as fezes no ventilador e ver qual quadro essa pintura vai formar.
Recentemente, o vocalista Thiago Bianchi, publicou um desabafo informal que critica a cena e o público em geral, pedindo apoio e entendimento dos envolvidos na cena ( http://whiplash.net/materias/news_857/119453-shaman.html ). Artigo válido, porém, que pode ser interpretado de forma dúbia pelos apadrinhadores do estilo. Eu concordo em partes (como todo formador de opinião) com que foi dito no artigo. Concordo com os culpados apontados, mas não posso concordar que a culpa única é do ouvinte do estilo. Avalio o que o Thiago disse como uma atitude “que tem o seu valor”.
Imagem: Divulgação da Banda
Porém, sou obrigado a concordar com o artigo do Plínio Alves, publicado no site “Polêmico Rock”. Estamos decadentes de público, de bandas de qualidade e de atitude no mundo inteiro. O artigo pode ser lido no endereçohttp://polemicorock.blogspot.com/2010/11/resposta-ao-artigo-de-thiago-bianchi.html.
O que eu não consigo entender, são as opiniões tentando justificar o próprio pití ou surto, com o pití/surto alheio. Em minha individual opinião, o blog Collector’s Room seguiu a linha de defesa, da carapuça que parece ter servido. O texto pode ser lido emhttp://collectorsroom.blogspot.com/2010/11/colocando-os-pingos-nos-is-carta-aberta.html. Convenhamos, formadores de opinião não podem se dar ao luxo de escrever um texto de dedo único, mas sou obrigado a concordar com algo que o Ricardo Seelig escreveu, de que antes de publicarmos algo, devemos submeter o nosso próprio texto a uma revisão. O texto do Ricardo tem algum mérito.
Por fim, só posso crer que a carta de agradecimento escrita pelo Thiago, dias após o seu desabafo, seja um fato real e que venha surtir frutos maravilhosos para a cena do heavy metal nacional (http://whiplash.net/materias/news_856/119985-shaman.html ). Estou esperançoso destes acontecimentos ao qual o Thiago se comprometeu. Se isso tudo acontecer, a cena realmente voltará a ser mais forte.
E com certeza, esqueci de várias bandas. Mas foi para encurtar o texto e dar um melhor entendimento.
Viva o verdadeiro heavy metal nacional.

Fonte: http://memoriasdeumlunatico.blogspot.com.br/2010/12/o-que-aconteceu-com-o-heavy-metal.html

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