2012/02/25 – Skin Culture/Korzus/Soulfly – Via Marquês – São Paulo/SP

É inevitável: Sempre compararemos o Sepultura da Fase Cavalera com o Sepultura de hoje. Por mais que nos esforcemos e, mesmo que inconsciente, essa comparação sempre existirá.

Entretanto, na noite de sábado – 25/02, os fãs de carteirinha dos Cavalera, puderam matar um pouco a saudade do que era o Sepultura de outrora.

O show ocorreria no Santana Hall e foi realocado para o Via Marquês, Barra Funda, na última hora. A casa não é grande, mas tem mas boa infra-estrutura para eventos desse porte. O único ponto negativo é o palco, baixo demais, fazendo com quem esteja lá atrás, perca detalhes e, se for de estatura pequena, como a minha, vai ter que ficar nas pontas dos pés, coisa não muito agradável.

Dentre as bandas de abertura, estava o Skin Culture que, embora não seja um nome muito conhecido, tem um currículo invejável, trazendo em sua bagagem gigs com KORN, ILL NINO e P.O.D., para citar alguns. O show deles teve início em torno das 19:30, para um número de pessoas ainda pequeno.

O som da banda faz uma mistura groove de Thrash Metal e ritmos mais modernos, agradando aos presentes na casa. O vocalista Shucky Miranda se mostrou extremamente simpático, falando muito entre as músicas, porém esse ponto poderia ser repensado, somente pelo pouco tempo que uma banda de abertura tem disponível. O show foi uma mescla de músicas do último CD “The Earth Spits” e o CD que será lançado em meados desse ano.

Na sequência veio o Korzus, uma das bandas mais antigas da cena metal Brasileira – tão percursor do estilo quanto o próprio Sepultura de Max e Iggor. E o Korzus, como sempre, levou a galera à histeria. Com uma formação estável desde 2008, quando Antônio Araujo substituiu Silvio Golfetti nas guitarras, mostraram clássicos como Guilty Silence e a mais que obrigatória What Are You Looking For e passearam pelo seu mais recente CD, Discilpline Of Hate – um dos melhores lançamentos do estilo dos últimos tempos – com Truth, I Am Your God & Raise Your Soul.

Depois da agitadíssima apresentação do Korzus veio uma longa pausa, talvez aquela espera para se recuperar os ânimos, afinal, Max Cavalera e sua trupe estavam prestes a subir ao palco.

Apesar da pausa um pouco longa, o que deixou a galera um pouco inquieta, gritando o nome da banda, após as 22 horas tudo foi esquecido, já que o Soulfly estava no palco com Rise Of The Fallen para abrir o set list. O público ficou completamente ensandecido em ver Max Cavalera no palco e, apesar da paralisia facial, noticiada há alguns dias, mostrava uma disposição invejável. Aliás, que paralisia facial, que nada, esse detalhe passou batido! Já emendaram na seqüência Prophecy, cantada em uníssono pela plateia, seguida de Primitive, Dowstroy e Seek N’ Strike.

Em seguida, para um delírio orgásmico, vieram com a dobradinha Refuse/Resist e Territory, verdadeiros clássicos de sua antiga banda, relembrando a fase em que Max ainda estava no Sepultura, seguida de Porrada e o solo de batera de Zion, filho de Max, de apenas 18 anos. Filho e sobrinho de peixe, peixinho é! E o menino é realmente bom!

Vieram mais algumas autorais e tocaram mais algumas da fase de ouro do Sepultura: Arise seguida de Dead Embrionic Cells. Porém o melhor, mais empolgante e mais emocionante da noite estava por vir: Zion deixa a bateria e entrega as baquetas à seu Tio, Iggor Cavalera, e a galera quase destrói o Via Marquês.

“_Este é meu irmão, o melhor baterista do mundo!”, diz Max.

E tocaram Troops of Doom. Para muitos ali (inclusive para quem escreve), era a primeira vez que viam os irmãos Cavalera juntos, no mesmo palco, tocando uma música composta por eles para a  banda que ELES montaram. Faço minhas as palavras de Julio Feriato do Heavy Nation:

“_Então, descrever tamanha emoção ao presenciar esta cena é algo impossível.”

Na seqüência, Iggor entrega as baquetas de volta para Zyon, aponta para o sobrinho como querendo dizer “agora é a sua vez!”. E executaram a clássica “Innerself”, que levou todos ao delírio mais uma vez.

Interessante e que não pode passar despercebido foi a presença da “ala infanto-juvenil” da Família Cavalera no palco. Iccaro, Joanna e Raíssa Cavalera, filhos de Iggor e os filhos de Max estiveram presente na coxia durante todo o show do Tio. Torçamos para que continuem o legado dos pais. Para ressaltar ainda mais essa teoria, dois filhos de Max se juntaram ao pai e ao irmão Zyon e cantaram “Revengeance”, música do novo álbum do Soulfly que ainda será lançado.

Essa molecadinha é uma galerinha de muita sorte. Em termos de talento, nasceu em uma família com berço de ouro e não pude deixar de sentir uma invejinha branca – mas boa! – imaginando como deve ser inusitada a dinâmica da família. Juro, queria ser um deles, nem que por quinze minutos! (risos)

Para fechar uma noite memorável, não podiam deixar de executar Roots Bloody Roots – unanimemente a favorita da galera (e minha também!) e que marca a fase mais groove do Sepultura e fechando com Jump e Eye For An Eye, do álbum debut do Soulfly.

Absolutamente “A Night To Remember” para os fãs de Max e Cavalera e Cia., lendas vivas e patrimônios do Metal Brasileiro, um orgulho para nós, profissionais, público e fãs. Viva os nossos bangers nacionais!!!

Agradecimentos: Julio Feriato & Irisbel Mello @ Heavy Nation; Adriano Coelho; Alex Palaia; Nathan Soller & Shucky Miranda @ Skin Culture; Família Korzus.

Fotos por Irisbel Mello

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